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The Limping Mackerel

The Limping Mackerel

30
Mar18

30-03-2018

Não gosto de férias, nunca gostei. Um feriado uma vez por outra, especialmente a meio da semana sabe bem, mas mais de três dias é para esquecer. O que me chateia mais é a dieta - gosto de fazer as minhas refeições em paz e sossego. Vou de férias e ando a comer tijolos uma semana, encharcados em café solúvel - que já não me faz efeito. Tragédias de gato gordo.
30
Mar18

29-03-2018

A crítica é uma linha muito fina - entre o insulto e as palmadinhas vãs. Pode parecer que não, especialmente comparando os extremos. Mas, para mim, é difícil escolher as palavras certas. Como mostrar apoio a alguém cujas acções me entristecem?
28
Mar18

28-03-2018

Ele segue-me para todo o lado.
Sempre presente desde que era pequeno.
Foi comigo para a escola, para a rua, para a cama.
Crescendo com ele, pensava que era normal.
Só mais tarde percebi que as outras pessoas não eram seguidas.
Com essa percepção surgiu a evasão.
Fugi, escondi, menti.
Criei máscaras e manequins para distrair.
Mas a privacidade pela qual tanto lutava nunca durava.
Cansado, exausto, desisti.
Aceitei que ele estará sempre em cima do meu ombro, a espreitar.
Não me tento esconder e mostro tudo o que tenho, agora que sou nada.

(Isto não é um poema.)

28
Mar18

27-03-2018

É horrível, fraco, patético.
"Foi feito por ti, o que estavas à espera."
Mas acima de tudo, é barulho, bruto, inútil.
"Faz qualquer outra coisa. Vai estudar. Vai limpar qualquer coisa. Tudo menos isso."
Mas agora está feito.
"E para quê?"

26
Mar18

26-03-2018

Era o meu refúgio, algo que acreditava piamente que me ia acompanhar para sempre. Era a melhor parte de mim, a parte que nutria e da qual me orgulhava. 
É claro que não era importante ou especial, era uma ninharia sem qualquer utilidade no mundo real, mas era algo meu que me alegrava. 
E destruí isso. Não me recordo se foi só por negligência ou se fiz um esforço consciente para tal. Provavelmente foi uma mistura dos dois, nojo e culpa em equipa (fogo e sal de serviço, recomendo, eficácia total na destruição de interiores). 
Não ganhei nada com isto. É verdade que temos que abandonar algo para dar lugar a crescimento, mas nada tenho para mostrar. Nada. Onde antes tinha algo que podia usar, torcer e fingir que dava para vender, tenho uma deficiência. Algo que é tão fácil para uns como respirar é um esforço vergonhoso, patético. 
 
Quero mudar isso. Não tenho esperança que me traga alegria ou conforto como outrora, mas sinto falta da pouca (negligente) utilidade pratica que tinha no dia a dia. Também há nostalgia em acção, por muito que custe admitir. Não era feliz naqueles tempos, mas também não sou feliz agora (e não vou ser feliz no futuro), e como passei por maus momentos com a minha velha muleta queria restaurar e usar outra vez. Pode ser giro. 
É difícil, é horrível, é assustador da maneira que as coisas mais intimas e mínimas de uma pessoa podem ser, uma cordilheira que dando um passo atrás é afinal um monte de terra pequenino, nem dá para uma erva daninha criar raízes. Por outro lado, a pequenez que chama vergonha também me empurra para a frente. Porque consigo ver o punhado de terra por aquilo que realmente é. Não é suficiente, mas por enquanto ajuda.

 

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