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The Limping Mackerel

The Limping Mackerel

30
Set18

Comichão

O cão não gosta de mim. Gosta do resto da família, gosta dos vizinhos e adora as visitas.

A mim tolera. Só rosna quando tento fazer uma festinha.

Isto não me devia incomodar. Mas incomoda.

23
Set18

...

Não me peças essas coisas, já não sou a pessoa que era. Já não consigo fazer coisas bonitas.

Agora tudo em que toco apodrece.

Como é que ainda não acreditas nisso?

19
Set18

Lugar

Não quero, preciso mesmo disto.

Preciso de me sujar, de me magoar. Preciso de feridas e porcarias à minha volta.

Não posso ter coisas bonitas (não devo ter coisas, ponto final), não posso ter coisas novas e limpas. Têm de estar sujas e estragadas, como eu.

Sou um animal de lixo, por isso, preciso de estar rodeado de lixo e procaria. Não é uma questão de gostar (detesto). É a única coisa que faz sentido.

É o que mereço. Lixo e merda e porcaria. É o único meio onde pertenço.

18
Set18

Ecrã

Queria escrever algo bonito relativo à dependência cada vez maior em ecrãs.

Queria dizer que há poucos anos atrás (poucos o caralho, 20 anos é muito ano) ficar o dia todo a ver televisão era um dia perdido. Agora é Netflix e chill.

Entristece-me.

Passei a infância e adolescência colado a um ecrã porque não tinha alternativa. Não tinha pessoas, não tinha dinheiro, não tinha saída. Não podia desenhar, não podia escrever, não podia dançar ou tocar. Ler ainda é crime. Mas podia ver televisão. Ainda hoje está aprovado como método de entretimento.

Não é aborrecido, ficar passivo, sentado?

Não é frustrante ver as mesmas mensagens, as mesmas caras, a serem repetidas uma e outra vez?

As mesmas opiniões, as mesmas experiências, as mesmas estórias, recicladas todos os dias. 

17
Set18

Racionalização

Sinto o meu corpo a apodrecer, a desintegrar-se.

Ouço o meu coração a bater fora do passo, e por momentos sinto-o parado.

Vejo pequenas marcas crescerem em chagas sem cura.

Nascem dores em sítios improváveis.

Os dedos ardem como galhos secos.

 

Isto está tudo dentro da minha cabeça. Sou hipocondríaco (como um bom português).

Porquê? Porque sei que não estou a utilizar o meu corpo, a minha mente e o meu tempo de maneira mais eficaz e produtiva para mim e para a sociedade que me rodeia.

E bam. Começa o meu corpo a mandar sinais para me fazer mexer. Para ter noção de que o tempo está a passar e tenho de trabalhar. Para me lembrar que não sou eterno, que posso morrer ainda hoje.

Obrigado corpo, por utilizares o terror da morte para meteres a mexer.

13
Set18

Besta

Não sou uma pessoa. Nunca fui uma pessoa. Não nasci pessoa. 

É evidente para qualquer pessoa com quem interaja que não sou humano. 

A minha cara, o meu corpo, parecem, superficialmente, normais e humanos, mas rapidamente se percebe que há qualquer coisa de errado. Por mais que tente controlar, a minha face deixa sempre passar o grotesco por trás dela. É impossível esconder. 

É difícil saber o que está errado com a minha voz, pois não a consigo ouvir como os outros a ouvem. Tento fazê-la calma e baixa, mas sei que há algo profundamente errado com ela. Sei que é doentia, e enjoa quem a ouve. 

E se calhar, também cheiro mal. Por muito perfume e desodorizante que use, tenho a certeza que há qualquer coisa que escapa e que alerta as pessoas em redor que não estão a lidar com um par, mas sim com algo estranho, animal. 

Sei estas coisas. 

As pessoas à minha volta também sabem estas coisas. 



Mas então, porque é que mentem? Por que motivo insistem em fingir que sou uma pessoa? 

Porque é que insistem que continue a fingir que sou humano?

 

05
Set18

Fraqueza

Errar é humano. Logo, podemos errar, podemos falhar, é natural. Está nos genes, no nosso sangue. Não podemos fugir à realidade. Por isso descansa. Dorme uma sestinha. Não precisas de andar a correr. 

Quero sair daqui.

Não stresses.

Tenho medo.

Come bem. O corpo precisa de energia, e o cérebro precisa de açucar, toda a gente sabe isso.

O que me dás é veneno.

Mereces um miminho de vez em quando. É saudável. Não sabes que te tens de amar a ti próprio antes de poderes amar o próximo? 

Falso.

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