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The Limping Mackerel

The Limping Mackerel

27
Out18

Nível

Não. Calou. Chiu. Não quero ouvir mais.

Tens autoridade? Tens, e tenho que te ouvir.
Tens experiência? Tens, e tenho que aprender contigo.
Tens de ser cruel? Não, não tens.

E o que me fode não é o tratares-me como lixo.
O que me fode é o facto de seres, genuinamente, uma boa pessoa.
Tu és melhor do que isto.
Fala melhor. Age melhor.
Por ti.

26
Out18

Hipocondria brutal

Mais ou menos de 3 em 3 meses algo muda na minha pele e nasce um sinal.

A maioria é castanho e pequeno. Alguns são vermelhos e desaparecem passado alguns anos. 

É uma coisa de família e devia estar habituado.

Mas não estou.

Cada vez que surge um novo diferente do habitual fico a pensar obsessivamente na minha mortalidade. Obsessivamente. Geralmente acalmo quando reparo que é igual às dezenas que tenho no corpo. Mas o descolorido no tornozelo? E o negro na minha palma? Sentenças de morte, metástases cerebrais, mais vale planear já o funeral.

Sei racionalizar isto. O cancro é um fantasma sempre presente na família (e em que família não está ele sempre à mesa?), e na minha família nunca há coisas boas, tudo o que acontece tem que ser uma desgraça, porque a nossa narrativa é uma tragédia. É lei.

Mas não sou racional, e por isso que estou às 3 da manhã em pânico porque tenho uma pedra azul debaixo da pele que não estava lá há um mês.

Ridículo.

23
Out18

...

Detesto quando me tocas.

Detesto as tuas mãos lentas, tão lentas, a prolongar um toque não devia sequer acontecer.

Detesto os teus beijos, a tua saliva quente na minha pele fria.

Acima de tudo detesto ficar quieto e aceitar-te. Detesto reciprocar as tuas carícias.

Detesto quando me dizes que me amas mais do que tudo, e a isso, por mais que tente, não consigo responder. Sei que devia, sei que é o meu papel, mas não consigo dizer algo mais do que um vago "gosto de it". Não consigo dizer, nem como piada, que te amo.

22
Out18

...

Uma parte de mim, primitiva e irracional, ainda te quer fazer feliz, ainda acredita que proteger-te é a minha função, o motivo pelo qual nasci.

Uma parte de mim quer pegar numa faca e cortar a própria garganta para te satisfazer. Quer lavar a cara com ácido se isso aliviar a tua eterna angústia. Quer renunciar a tudo só para não te ver chorar.

E essa parte está forte como não estava há anos.

15
Out18

Ordenação

Cada vez que nos expressamos numa conversa, oral ou escrita, ocupamos um lugar no ritmo dessa conversa.

Um lugar que podia ser ocupado por outra pessoa, outra perspetiva, que pode levar a conversa para outro rumo.

(Melhor que a minha, mais valiosa, válida, útil, correta que qualquer coisa criada por mim. De mim só pode sair veneno, por isso calo-me. E há décadas que não falo. Mas custa. Tenho língua, tenho que falar, não posso, não devo, mas tenho, está-me na alma. Por isso calem-me por favor. Calem-me para sempre, para que nunca mais tenha esta necessidade sufocante de falar como quem respira.)

 

14
Out18

...

Passo mais tempo a destruir-me (aquilo que acho ser correcto) do que a trabalhar para ser boa pessoa, ou a viver por viver.

13
Out18

Sei que isto é importante, não sei como, mas é

Então, ontem estava a ler, certo? (Eu sei, eu sei, não devia, fiz mal.)

E a autora apresentou algo que nunca me tinha passado pela cabeça. Que em vez de sermos reféns das expectativas exteriores (família, sociedade) somos reféns do nós idealizado que acreditamos ser a resposta a essas expectativas externas.

Ok, e agora que escrevi isto percebo que não é um conceito em nada inovador, mas a maneira como está exposto é diferente do que estou habituado e ainda estou a digerir.

 

My Lesbian Experience with Loneliness, Kabi Nagata
04
Out18

Confuso

Muitas vezes tenho muito barulho dentro da cabeça, o que desorienta um pouco (muito).

Um dos melhores conselhos que segui foi deitar fora. Pegar num pensamento do turbilhão e dizer, "isto não é meu, não me interessa". 

Faço isto não só mentalmente, mas também com as coisas materiais. Tenho hábitos de aproveitar e reaproveitar e rereaproveitar, ad nauseum. Especialmente com papel, minha paixão mui secreta.

É difícil ignorar o instinto de sobrevivência, que me diz que não posso deixar nada ir, que a qualquer momento posso perder tudo. Que não posso deixar nada no prato porque não sei se vou ter dinheiro para comer amanhã.

Mas tenho que deixar ir.

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