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The Limping Mackerel

The Limping Mackerel

22
Fev19

Actualidade

Leio notícias.

Procuro artigos. 

Ouço opiniões.

Mas para além de satisfazer a curiosidade, não vejo a utilidade de me manter a par do mundo. Não tenho influência no mundo, logo toda a informação que tenho é inútil. As minhas opiniões são silenciosas, logo não existem. É estúpido da minha parte ter querer saber sobre um sistema para o qual não contribuo.

22
Fev19

Mimado

Ainda hoje me custa ver alguém a receber afecto. Ver pessoas a trocar intimidade, amizade, confiança entre si faz-me sentir tão só e desadequado. Também queria ter aquilo, também queria ter uma relação segura com alguém. E nem estou a falar de relações românticas, não. Amizade, familiaridade, qualquer relação positiva entre pessoas perturba-me. Não sei se me esqueci, ou se nunca soube o que é dar e receber carinho.

(Sinto-me como um fantoche com os fios enlaçados. Esqueço-me de andar. As palavras não saem ou entram. Os olhos não vêem.)

21
Fev19

Distracção

(Queria escrever algo bonito sobre isto. Mas como há anos que não o faço vai sair uma porcaria. Adiante.)

As pessoas não são más. (São egoístas, mas se não pensarem em si próprias quem o faz? Egoísmo moderado é saudável e necessário.) As pessoas não são estúpidas. (São ignorantes, mas a ignorância é tanto culpa do próprio como do meio. Se não tem informação correcta e recursos para a absorver não pode aprender.)

As pessoas são sim desatentas, distraídas. Têm outras prioridades, coisas que as absorvem e que as desligam do que estão a fazer. Movem-se de modo automático, sem reflectir e acabam por dizer ou fazer coisas com as quais não se identificariam se fossem confrontadas. Este estado não é algo temporário que pode ser justificado com um dia de trabalho horrível ou uma quebra de açúcar. É uma ausência de noção própria permanente. 

Esta distracção permanente até nem é muito má para o próprio. Não tem noção do que faz e quando (se) tiver consequências do que fez sem reflectir vai culpar tudo e todos excepto a si próprio (se não se lembra do que fez, é como se não tivesse feito). O que as rodeia é que tem de acarretar com as acções e consequências das mesmas. Mas quem quer lidar com as consequências das acções dos outros?

Se a culpa não é do próprio (se faz sem pensar, não tem culpa, não é responsável) e se não é dos que o rodeiam (que não têm que lidar com as responsabilidades de outros), então de quem é? Quem tem de arcar com as consequências directas e indirectas da distracção?

19
Fev19

Gratidão

Hoje estou com azia, por isso vou fazer um exercício de gratidão.

Estou grato a quem me apoia moralmente, dando dicas e palavras de incentivo. (não quero palavras de incentivo, foda-se, quero que me ajudem caralho, não faço a puta de ideia do que estou a fazer, não preciso nem quero palavras bonitas, quero ajuda real)

Estou a grato a quem me ouve e me ajuda a ver o lado positivo e o humor na situação. (não, não estou a ver qual a piada desta merda, e se tivesses no meu lugar não estavas a rir, estavas a mandar esta merda toda para o caralho e o resto que se foda)

Peço desculpa às pessoas que me apoiam pelas minhas respostas curtas e indelicadas. (foda-se mas o que querem que diga? obrigado por estares a olhar para a minha desgraça e mandar bitaites e julgamentos? tenho mais merdas com que me preocupar, não preciso de estar a adicionar os sentimentos dos espectadores à equação)

(foda-se, estou mesmo aziado)

14
Fev19

Motivação

As pessoas funcionam por meio de recompensa. Fazem algo para receber algo, como atenção, dinheiro, afecto, respeito, conhecimentos...

E ontem perguntei-me a mim mesmo o que me motiva a meter em trabalhos (fizeram-me esta pergunta noutro dia e não tinha resposta, tive que inventar). Não sou motivado por dinheiro porque estou habituado a viver sem conforto. Atenção só (mas só) me fode e não da maneira que quero. Não sei o que é respeito e não acredito em afectos.

E no final só restou a aprendizagem e a curiosidade, o puro prazer de fazer coisas com as próprias mãos. 

12
Fev19

Não quero escrever isto.

Não quero escrever este post (post? entrada? publicação? página?). Não quero meter cá para fora o veneno que estive a remoer hoje. Não quero expelir cá para fora o que me chateia. 

Quero ignorar. Quero aceitar aquilo que não posso mudar acerca da minha vida e simplesmente ignorar, da mesma maneira que ignoramos o cheiro do nosso corpo. Está lá, existe e vai continuar. Independentemente do que faça, há coisas que não consigo mudar. Não consigo mudar factos, não consigo mudar pessoas, não consigo mudar realidades.

É inútil e, mais importante, desgastante, lutar contra realidades que não gosto. Tenho que as aceitar e ignorar (não reprimir) as emoções que evocam. Tenho de me adaptar à volta delas, da mesma maneira que uma erva daninha cresce através das rachas da calçada. 

(Não é por esta comparação que fiz, mas dá-me sempre pena quando arrancam ervas daninhas que crescem entre os tijolos e no cimento. Sei que deve ser feito, especialmente nos edifícios, mas é tão bonito ver um pouco da natureza a recuperar o seu espaço no nosso meio.)

11
Fev19

Lixo urbano

Detesto, mas detesto mesmo, com aquela raivinha danada que arranha a faringe, ver alguém a escavar nos contentores do lixo. Não é novidade e entendo as pessoas que o fazem (também já o fiz).

O que me irrita é terem tantos resultados que fazem isso com rotina. O que me fode o juízo são as almas que, vivendo num meio urbano, com imensas associações que recolhem bens para os mais carenciados, decidem que o melhor sitio para deixar as coisas é no contentor do lixo, sabendo perfeitamente (e sabem, porque são vizinhos, porque o fazem de manha e de noite) que alguém as vai lá buscar.

Se sabem que alguém pode dar uso ao que descartam, se sabem que no bairro onde vivem há quem mergulhe nos contentores diariamente, porque não deixam a roupa no contentor da roupa? Porque é que deixam coisas que ainda têm vida útil (móveis, livros, loiça, traquitanas da vida diária) nas mãos de outra pessoa no meio de restos de comida, areia de gato, merda de cão, tampões e outras merdas que são verdadeiramente lixo? Porque não deixam o que não precisam na paróquia, na junta, nas casas públicas que sempre vão ajudando com os poucos recursos que têm? 

Irrita-me a falta de respeito com o outro, irrita-me o desperdicio e a má gestão de recursos, irrita-me toda esta situação, de todos os ângulos que a vejo. 

11
Fev19

Fêmeas do coração

Imaginem que têm uma fêmea na vossa vida. Imaginem que essa fêmea é tudo para vocês. Imaginem que ela é a luz da vossa vida. Acordam felizes, antevendo um dia com ela. Quando o trabalho aperta e se encontram sem forças, basta pensar no sorriso dela para voltarem à obra. Ela é, para vocês, a criatura mais bela de toda a criação.

Estão na zona? Ok.

Agora, como é que lhe dizem, da maneira mais delicada (mas firme) possível, que não, ela não é assim tão bonita de acordo com os padrões da nossa sociedade? Como é que lhe dizem que há inúmeras mulheres mais atraentes do que ela? Como é que lhe dizem que ela não é nada de especial? 

Atenção, que ela tem fraca auto-estima. Não querem destruir a pouca que ela já tem, que cultivou tantos anos e com imenso esforço, para chegar a níveis no limite inferior do que é uma auto-estima normal (está ainda a níveis patologicamente inferiores, sendo honesto).

Querem ser realistas. Não querem dar-lhe mentiras baratas e sem fundamento, aquelas mentiras rascas e altas usadas por quem quer vender algo (e como é que é possível confiar em alguém que nos quer vender algo? como é que alguém acredita numa técnica tão básica de extorsão?).

Mas também querem que ela se veja da mesma maneira como vocês a vêem: uma beleza pura que ofusca completamente o aspecto físico.

O que fariam nesta situação?

(Não sei mesmo o que fazer, alguém me ajude.)

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