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The Limping Mackerel

The Limping Mackerel

31
Out19

Ganância

Sou um sovina, unhas de fome. O Tio Patinhas é o meu ídolo. No entanto sou péssimo a vender coisas. Custa-me (haha) vender algo, pedir dinheiro em troca de algo que não preciso. Se não preciso, se não me faz falta, posso dar; é o que faz sentido para mim. Mas sei que isso não é racional, que não sou rico e se tenho algo que outros querem posso pedir algo razoável em troca. Uma troca, em vez de uma doação, é algo racional e perfeitamente normal. Então, por que é que sou demasiado parvo para o fazer?

30
Out19

Instagram (outra vez)

Alminhas, docinhos, não se sintam feios e incapazes, quando se comparam com as pessoas que seguem nas redes sociais, os fabulosos influencers. Essas pessoas fazem carreira disso, é literalmente o trabalho delas. Os influencers não são seres mais que perfeitos, com disciplina impecável que lhes permite viver uma vida linda e imaculada, com um corpo esbelto e jovem. São pessoas normais, que se dedicam imenso ao seu trabalho.

Podem gozar, mas é um trabalho difícil! Já tentaram tirar fotos a comida? Aquela merda tem ciência! Não é só fazer a comida em si, é transformar um prato numa obra de arte. E para tirar uma foto são é só clicar e meter um filtro. É ver ângulos, ver luz, preparar a mesa, o fundo, tudo o que está na foto. Aquilo não é rotina de vida, aquilo é um hobbie sério, e para muitos um ganha-pão.

E as modelos? A vida delas é aquilo. É gastar imenso dinheiro, tempo e energia em roupa e maquilhagem e acessórios. É desgastante tirar imensas fotos, com diferentes poses, em diferentes sítios, em diferentes ângulos, de vez em quando com trocas de roupa numa única ocasião. 

Por isso, por favor, não se sintam mal por o vosso pequeno-almoço, que tomam à pressa antes de irem para as 10 horas de trabalho diário, não ser igual ao pequeno-almoço de um personal trainer patrocinado pela Prozis. Não têm que ser melhores que os outros, só têm que ser melhores que vocês próprios.

29
Out19

Cutículas

Entendo que mulheres tenham as unhas arranjadas, direitas e sem cutículas. Manter as unhas impecáveis ao longo de um dia de trabalho é um dos misteriosos poderes femininos. Agora homens com as unhas tratadas é que não entendo. Há serviço de manicura no barbeiro? São as mães, as namoradas, que lhes tratam as unhas? São eles próprios que tiram as suas próprias cutículas? Se sim, quem lhes ensinou? É algum conhecimento secreto passado de pais para filhos? É que não vejo isto só em homens de escritório! Homens do campo, ou que trabalham em obras e oficinas, as mãos todas sujas e secas, mas unhas impecáveis, aparadas e alinhadas!

27
Out19

Beijinhos e abraços

Não gosto de dar beijinhos, nem um nem dois. Não gosto de abraços. Tolero apertos de mão. Não gosto que me toquem e tenho uma grande vontade de empurrar com força quem se aproxima de mim. Mas não recuso, porque em Portugal é assim que as pessoas se cumprimentam. Se não gosto, azarinho, tivesse ficado lá fora onde tocar em estranhos é visto como estranho.

Mas houve uma vez em que fiquei frustrado com esta norma. Quanto mais confiança tenho em alguém, mais confortável me ponho, e acabam-se os beijinhos e abraços da minha parte. E isto fez outras pessoas sentirem-se mal, porque vêm estes comprimentos como uma forma de afecto e respeito. E expliquei o porquê, disse que não gostava, e feito estúpido cretino que sou, pensei que iam aceitar e compreender, porque confiava nessas pessoas. Qual quê. Dá amor e carinho cabrão, mesmo que te sintas sujo.

Entendo e sei que essas pessoas têm razão ao insistir em contacto físico. Apenas queria que tivessem aceite o meu ponto de vista.

25
Out19

Ecoponto castanho

Vem aí (daqui a alguns anos) um contentor de reciclagem castanho, destinado a materiais biodegradáveis. Acho que é uma excelente ideia, porque 90% do meu lixo é cascas e restos de comida, e dá pena não ter sitio onde os compostar.

Mas não estou optimista relativamente à sua utilização. Tenho quase a certeza que vão ser lá colocadas coisas não compostáveis, e bem, separar lixo biológico é uma porcaria. É uma bomba húmida, quente, que tresanda e serve de habitat a fungos e moscas. É muito mais nojento que reciclar outros materiais.

Mas pronto, é um passo numa boa direcção, e apesar de achar que a execução pode ser... difícil, provavelmente sou eu que estou a fazer algo mal e vai tudo correr melhor que o esperado.

21
Out19

litania

"Estou sozinho, ninguém me quer ao pé, tudo o que faço é lixo. Sou um monstro."

Esta é uma das muitas permutações da minha voz interior. Durante muitos anos esta linha de pensamento agoniava-me. A solidão, a incapacidade em comunicar, a repudia e o nojo visceral que via na cara dos outros, tudo me destruiu. Chegou ao ponto em que deixei de ver o suicídio como escape da minha consciência mas sim como um abate justo e necessário de um animal raivoso.

Mas há algum tempo comecei a tentar interpretar esta voz de outra maneira. Está certo que estou sozinho, assim não sou um fardo. Ninguém me quer ao pé, mas pronto, sou tão insignificante que me ignoram e se esquecem que estou lá. Tudo o que faço é lixo... esta é muito difícil de ver de maneira positiva. Mas se continuar a fazer lixo, se calhar vou ficar melhor e, quiçá, um dia fazer algo que é mais trabalho que lixo.

A voz continua com os seus discursos, porque eu sou eu, e tenho que ser honesto comigo próprio. Factos são concretos e imutáveis, mas podem ser interpretados de maneiras diferentes.

20
Out19

Halloween

Vem aí uma das minhas épocas favoritas, o Halloween, essa maravilhosa importação cultural dos EUA. É apenas mais um festival religioso que se transformou numa desculpa consumista, mas pronto, é a regra nos dias de hoje.

Acho que este ano os miúdos do bairro vão tocar às campainhas a ver o que lhes calha e ainda estou indeciso. Ou compro um saco de doces, ou dou maças, ou ignoro as batidas à porta. O que fazer, o que fazer? E se comprar doces, o que compro? Sei que se fosse miúdo e me dessem rebuçados baratos ficaria desapontado, mas agora que sou o adulto a comprar os doces não quero gastar dinheiro em lixo que faz cáries.

Se é para dar doces manhosos mais vale dar maças, que tenho gavetas cheias delas. E é muito mais cruel.

19
Out19

Construção

Lembro-me de ouvir dizer, e de ler também, que quando nos falta uma figura essencial na nossa vida, a solução não passa por procurar alguém para preencher esse vazio. Em vez disso devemos criar em nós próprios a pessoa que nos falta, uma construção mental do que necessitamos de outros. Gosto dessa solução, porque permite a alguém viver bem consigo próprio e lidar com os seus problemas sozinho. Mas tem algumas fraquezas.

Para começar, uma construção mental não substitui uma pessoa real, um terceiro em quem confiamos, a quem nos ligamos. É sempre uma fabricação, uma cassete de pensamentos gravada pelo próprio. Nunca é uma voz real, e nunca é tão forte.

E depois, se falta alguém na nossa vida, como sabemos o que realmente falta? Se nunca vivemos uma experiência, se nunca sentimos uma ligação, como é que podemos construir aquilo que nos falta? De onde tiramos o molde? Da nossa própria carência? Dos livros, da televisão, das redes sociais?

Para terminar, há o risco da ilusão da independência. Quando já temos o nosso apoio mental construído e estável, é difícil sair desse conforto para procurar o que nos falta em outros. Para quê sofrer, para quê ser rejeitado, quando posso tomar conta de mim próprio? Além disso, se me ligar a outras pessoas vou ter de as suportar a elas, e como é que faço isso? Só consigo tomar conta de mim próprio, como posso saber o que se passa dentro das outras pessoas, como posso saber o que precisam de mim?

15
Out19

abcde

Quero arrancar a minha língua.

Quero beliscar os meus pulmões.

Quero cortar as minhas mãos.

Quero desfiar a minha pele.

Quero esmagar os meus joelhos.

Quero furar os meus tímpanos.

Quero golpear o meu peito.

Quero homogeneizar o meu ventre.

Quero implodir o meu coração.

Quero jorrar o meu líquor.

Quero libertar as minhas articulações.

Quero morder os meus nervos.

Quero necrosar os meus dedos.

Quero ondear os meus ossos.

Quero picar as minha córneas.

Quero queimar os meus pés.

Quero roer as minhas vértebras.

Quero serrilhar os meus ombros.

Quero triturar as minhas unhas.

Quero ulcerar os meus cotovelos.

Quero vomitar a minha medula.

Quero xinar as minhas tripas.

Quero zimbrar as minhas coxas.

14
Out19

CHEGA!

Estou farto de política. Após meses de medidas e escândalos pré-eleições já não quero ler notícias, não quero ver televisão, nem consigo aturar o rádio. Estou farto fartinho deste circo. É sempre os mesmos esquemas, sempre as mesmas opiniões, sempre as mesmas posições, e no final, sempre o mesmo nepotismo e corrupção. É simplesmente cansativo.

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