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The Limping Mackerel

The Limping Mackerel

26
Abr20

The Fall (2006)

Com o passar dos anos tenho perdido interesse por ver filmes. Passei de ficar um dia inteiro a ver todos os trabalhos de um realizador a perder o interesse ao fim de 10 minutos. E agora só vejo quando a minha irmã quer companhia para ver filmes. Não sei porquê, mas simplesmente não me interessam. Não significa que não tenha gostos, favoritos e preteridos.

Um dos meus favoritos (e neste caso fui eu que forcei a minha irmã a ver), é o The Fall (Um sonho encantado) de Tarsem Singh. É um filme luminoso, leve e acessível, onde a fantasia e a realidade se misturam. A realidade neste filme é realista: não há um feliz para sempre, mas também não há desesperança e miséria sem fim; desgraças acontecem, mas a vida continua.

Não é uma obra-prima, mas é muito agradável de se ver (e rever).

https://www.imdb.com/title/tt0460791/

25
Abr20

Cadeiras


Não gosto de cadeiras. São duras e desconfortáveis. Há alturas em que me tenho de me remexer todo para não sentir que estou a raspar os ossos na madeira.

E não gosto de ficar com as pernas baixas. Além de ser desconfortável, estar sentado deixa-me estuporado. Não é sono, não é aborrecimento; a minha cabeça simplesmente desliga. Sinto-me embriagado, mas sem a euforia, a desinibição e a leveza que o álcool me dá. É tão stressante como estar num engarrafamento e o carro não pegar à primeira, nem à segunda, nem à terceira, com os outros carros a apitar atrás de nós.

Tenho que me estar sempre a mexer para evitar isso. Em casa é fácil, além de que me posso meter de cócoras, ou colocar as pernas na secretária. São posições francamente ridículas, mas permitem-me estar sentado e acordado ao mesmo tempo.

24
Abr20

O limite da frugalidade

Fui criado de maneira muito frugal. Nada se descarta, tudo se reaproveita, e só se adquire o essencial (por exemplo, um tapete de Arraiolos é essencial para a felicidade da minha mãe). É um modo de vida benéfico para o ambiente, e para o orçamento familiar. Mas tem desvantagens.

A maior é que leva à acumulação de materiais que têm de ser limpos, guardados e preservados de maneira adequada. Isto não era problema há umas décadas atrás, quando havia poucas coisas para guardar. Mas com o aumento de coisas baratas e descartáveis, este modo de vida é um pesadelo.

Exemplo, uma colher de plástico. Foi concebida para usar uma vez e descartar, certo? Errado! A colher de plástico é para ser lavada, guardada, e reutilizada. Só é descartada quando se partir.

Ok, é só uma colher.

Mas não é só uma colher, é tudo o que é descartável que é acumulado. Tudo. Tudo. TUDO. Olhem em vossa volta. Agora imaginem que não descartavam nada do que vos vinha às mãos. Revistas, panfletos, canetas, porta-chaves e outras quinquilharias. Imagino que a vossa casa iria parecer um ovo. Um ovo muito difícil de limpar e organizar. Dias a limpar, e quando acaba, mais uma voltinha, porque a parte que foi limpa primeiro já tem pó.

Depois, tem que se contar com a validade. Não importa o que a publicidade diz, nada se compra para a vida. Perde qualidade e perde características que o tornam útil (e seguro). Um tupperware pode durar uma vida? Poder, pode, mas a partir de certa altura a comida saberá a plástico. É um recipiente que pode guardar comida, certo, mas se estraga a comida já não é útil, é lixo. Uma luva com buracos não pode ser usada para manusear lixívia. Um sapato com metade da sola não protege os pés. São falhas pequenas, negadas com "só mais um bocadinho até se estragar", "esta parte ainda está boa", "não está assim tão mau".

Mas está, está bastante mau.

É muito bom proteger o ambiente e a carteira, mas é preciso ter limites, que por sua vez são difíceis de estabelecer. Um frugal é muito defensivo do seu modo de vida (toda a gente o é). Não se pode oferecer o livro de Marie Kondo e esperar que o frugal veja a luz, que há limites para a acumulação e reutilização. Que deitar algo estragado, que perdeu a sua função, não é um crime, não é um desrespeito ao trabalho árduo exigido para ganhar dinheiro. Que lixo reaproveitado é isso mesmo, lixo.

22
Abr20

Chuva

Gosto da chuva, especialmente quando acaba e deixa tudo limpo e brilhante. Mas eu tenho uma casa na qual não entra água. Não tenho humidade a correr pelas paredes abaixo, não tenho água a inundar, sorrateira, por portas e janelas. Tenho escolha de ir à rua, ou ficar abrigado.

Há pessoas e animais que não têm essa escolha. Há um sem-abrigo muito famoso onde vivo, mas não sei onde ele dorme. Há sítios onde se pode abrigar, mas mesmo sem levar directamente com a chuva em cima, vai passar uma noite fria e húmida. Não será a primeira, nem a última. Acho que há quem o possa abrigar, mas não sei se ele aceita.

Ah, e esse é um grande nó. Há vários motivos que levam uma pessoa a viver na rua, na miséria, e há motivos que a levam a ficar lá. Não tenho formação nesta área (e o que vou escrever agora é de um completo leigo), mas penso que as 2 grandes causa são a toxicodependência e doença mental, 2 motivos com uma grande componente fisiológica. Os mecanismos das drogas são bem conhecidos, e os da doença mental, bem, pode não saber-se bem como funciona, mas sabe-se como intervir farmacologicamente.

Mas é preciso a vontade do próprio para tal acontecer. Não se pode tirar alguém das ruas e forçar medicação anti-psicótica ou abstenção de drogas. Mas a vontade também é química, é algo passível de ser controlado por factores externos (oh, e tão influenciável que é).

Somos todos reacções químicas.

21
Abr20

Telescola

Tive curiosidade e fui ver uma aula na RTP memória. Primeiro, foi difícil encontrar o canal, e ainda não sei qual é a posição. Encontro-o quando faço zapping, mas não quando o quero ver. Enfim, problemas de 1º mundo.

Vi a aula de História e Cidadania, porque achei que podia aprender alguma coisa. História era muitas datas e nomes, e sou bastante fraco de memória. Já me esqueci do que vi, apenas me lembro da Revolução Francesa e invasão de vikings e... suevos? Não será suecos?

Não consegui ler os esquemas que a professora apresentou. Acho que é preciso uma televisão 4K que ocupe metade de uma parede para conseguir ler aquelas letras pequeninas. Se bem que provavelmente eram mais para a professora se guiar e não a audiência.

Foi engraçado, e parece muito mais complexo e aprofundado do que dei na escola. Acho que até faz sentido dar história com cidadania, porque são o passado e o presente/futuro da sociedade, respectivamente.

14
Abr20

Palavras

Detesto quando as pessoas contradizem as suas acções. É vergonhoso aos 30 anos ainda ficar irritado quando isto acontece, porque é algo natural na sociedade, mas pronto.

As pessoas falam e falam, de como são isto e aquilo, e irrita-me ter que as ouvir quando sei que só estão a dizer merda. É pura masturbação. Da mesma maneira que não quero ver uma pessoa a tocar-se não quero ter estar perto sequer de alguém que só fala para se elogiar a si próprio. É desconfortável.

A escrita tem esta vantagem. Uma pessoa pode escrever o que quiser, mas ninguém é obrigado a ler. Elimina a mensagem, fecha o navegador, rasga o papel. Uma pessoa pode espalhar o ego por onde quiser, pode tecer para si próprio uma imagem perfeita, mas ninguém tem que a ler. Toda a gente fica feliz na sua própria bolha.

O que também não é muito bom do ponto de vista de crescimento, porque não é só de coisas boas que as pessoas crescem. As pequenas irritações e as grandes adversidades também servem para as pessoas amadurecerem e progredirem.

Ah, se calhar o melhor caminho é continuar a dar o ouvido a pessoas chatas e simplesmente desligar quando se esticam. Dar um bocadinho de espaço para mostrarem o ego, mas impor limites quando abusam da boa vontade da audiência. Se calhar o problema não é as pessoas serem chatas, mas eu ser incapaz de impor limites equilibrados. Hm.

13
Abr20

Status quo

Há quem ache que depois desta pandemia as coisas vão mudar. Francamente, não sou tão optimista. Quando isto acabar voltará tudo à mesma. Os trabalhadores que agora são considerados essenciais (costureiras, enfermeiros, estafetas, cozinheiros, e os queridos caixas de supermercado) não vão ganhar direitos e não vão ser respeitados, apesar de serem eles que garantem que conseguimos fazer a nossa vida.

Irrita-me tanto, mas tanto, as palmas e aos anúncios de televisão a elogiar os trabalhadores na linha da frente. Eles não estão a arriscar a sua saúde (e a dos seus familiares) porque são heróis. São trabalhadores, que sustentam o nosso modo de vida, que têm direito a recompensas e protecções tangíveis, e não palmadinhas nas costas.

Quando isto acabar os enfermeiros vão voltar a ser limpa-cus, que nem sequer podem fazer uma greve como deve ser, e agora estão a ser infectados porque não há material de protecção. Os caixas de supermercado voltarão a ser o exemplo de preguiça e estupidez apontado às crianças, e vão continuar a ter ordenados e condições de trabalho precárias, porque infelizmente há sempre alguém que prefere não ter direitos a estar desempregado.

Não sou misantropo, apenas detesto os contras de viver em sociedade.

11
Abr20

Reforma

Se chegar à reforma, já sei o que vou fazer: jardinagem. Se não tiver jardim não interessa, faço jardinagem nos espaços públicos. Não quero é ficar em casa se chegar a velho.

10
Abr20

Seca

Isto é uma seca, seca, seca! A minha vida era uma seca antes, e agora ainda o é mais. Geralmente quando ficava assim saía de casa e perdia-me a andar em algum lado que não conhece-se. Agora que chove e chove nem isso posso fazer.

Tenho lido teorias da conspiração para aliviar um pouco o stress. Honestamente, entre as coisas que se dizem na televisão e o que se discute em cantos remotos da internet, meh, verdade é escassa, mas a conspiração é mais engraçada. E menos chata.

A minha mãe tem sempre a televisão ligada, e é só covid covid covid, ad nauseum. Não se fala de outra coisa, e entendo, mas parece que só se fala de coisas que nem são assim tão importantes no grande esquema desta pandemia.

Bem, uma coisa para a qual espero é o início das aulas de ensino obrigatório na televisão. A minha mãe fala de como era na altura dela, e agora fiquei curioso para ver o que será apresentado. Perde-se a interacção, mas dá para voltar atrás e repetir as partes que não se perceberam bem, e se calhar, como o professor não tem de tomar conta de 30 fedelhos irrequietos, as aulas até vão ser bem estruturadas e rentáveis.

Se estas aulas forem boas, será que seria rentável fazer um canal público dedicado a ensino obrigatório, para crianças que por um motivo ou outro não podem ir à escola, ou mais provável, têm professores incompetentes? Explicações acessíveis a todos.

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