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The Limping Mackerel

The Limping Mackerel

21
Out21

Burocracias, prazos e fé nos outros

Uma das muitas coisas que me reduz a ansiedade inútil é a linguagem usada em despachos, normas e regulamentos. É sempre francamente ameaçadora. Preciso que entregar tal e coiso num curto espaço de tempo, de certa e determinada maneira, e tudo neste processo depende de terceiros, desde obter o coiso até o entregar. E se falhar, quem chumba sou eu. Esta burocracia é particularmente frustrante quando é feita através de plataformas electrónicas que não são usadas plenamente. O processo começa e acaba na plataforma, mas ainda há impressos, cartas e papéis intermediários, apesar de nenhum desses intermediários ser essencial ao resultado final. É frustrante (e tipicamente português).

Sei, por experiência própria, que a importância das datas e dos papéis e das assinaturas é exacerbada a pensar nos distraídos que não ligam nada a estas ninharias (abençoados). Sei, por experiência própria, que os serviços académicos na minha faculdade são demorados mas prestáveis, com profissionais sensíveis e práticos. Sei que não há motivos para me preocupar. Sei que tenho de ter confiança nas pessoas com quem lido, que são profissionais competentes. 

Mas é difícil. Tenho o hábito de dramatizar e complicar, o que me leva a gastar imensa energia a perseguir burocracias. Percebo porque é que tenho esse hábito, especialmente em Portugal, com tanta burocracia, incompetência e corrupção. Mas não posso preocupar-me tanto com coisas que estão fora do meu controlo. Eu tenho o meu trabalho e as minhas responsabilidades, não posso ou devo gastar tempo e energia a pensar no trabalho e nas responsabilidades dos outros. Especialmente quando sei que posso confiar nos outros.

Tudo vai ficar bem.

02
Out21

Sem nexo

Há muitos anos que existem pela Europa fora máquinas para recolha de garrafas nos supermercados. Lembro-me de colegas que coleccionavam as garrafas de água dos caixotes dos lixos para ganharem uns trocos. Não era uma fortuna, mas para quem todos os cêntimos contam valia a pena.

Fiquei feliz quando estas máquinas chegaram a Portugal. A minha mãe tem o hábito de guardar tudo o que é útil, eu também, e entre nós tínhamos muitas garrafas de água. O suficiente para pão e alguns legumes. Valia a pena.

Passaram meses, e quando voltei a dar-lhe garrafas ela diz-me que já não recebe nada por elas. Ia lá, descartava as garrafas, e nada. Nenhum talão. E as máquinas, que tinham filas e sacos enormes, estavam abandonadas. Fui investigar e parece que o dinheiro agora vai para instituições de solidariedade. Algumas perguntam ao dador se tem preferência, outras não. E isto é estúpido.

Em países mais ricos e civilizados que Portugal incentivam as pessoas a reciclar. Aqui, onde o povo é pobre e a reciclagem é ignorada retiraram o único incentivo que as pessoas tinham. É uma decisão desligada da realidade. Para mim não faz diferença, mas para quem se dava ao trabalho de ir aos caixotes dos lixos e apanhar sacos e sacos de garrafas fazia diferença. E para o ambiente também faz diferença, porque são garrafas que não vão ser recuperadas do lixo comum e não serão recicladas.

 

Ah, que país desgovernado.

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