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The Limping Mackerel

The Limping Mackerel

28
Jul21

Cruz

Já não me lembro onde li ou ouvi isto, ou se é uma crença católica comum, mas cada pessoa tem a sua cruz, um desafio único, algo na vida que têm de superar ou suportar, do qual não podem escapar. Acho que sei qual é a minha cruz. Oh pá, sei que não é má nem grave, sei que é uma cruz que só alguém privilegiado pode considerar um problema. É tão sinónima de privilégio e vida fácil que ninguém a leva a sério (é uma anedota na verdade), e só depois de anos a reprovar na faculdade é que a minha família aceitou que talvez não seja preguiça e má-vida o meu problema (é tão estranho quanto os meus pais me apoiam agora; não consigo acreditar que isto vá continuar; conheço pessoas que foram expulsas de casa por muito menos).

Mas além de sofrimento subjectivo já perdi tantos anos da minha vida com este problema. Estou tão atrás das pessoas da minha idade, com quem fui à escola, com quem entrei na faculdade, com quem me devia identificar, que acredito que este problema é o meu karma, o meu fardo nesta vida. 

Há umas semanas reparei que posso ter este fardo aliviado em breve, e que apesar de continuar a existir, deixará de ser um limite à minha educação/carreira. Se conseguir, em breve a minha vida poderá continuar a um ritmo normal. 

Por um lado, não acredito que o consiga ultrapassar, e prevejo mais um ano trancado em casa (sou de tal maneira avançado que fiquei meses em isolamento antes da pandemia começar, sou campeão nisto). Não acredito que passarei este exame sem pagar mais 1 ano da minha vida. E estou francamente cansado.

Mas por outro lado, ah, quase que consigo sentir a liberdade! Poder passear num jardim sem culpa! Adoptar um gato! Fazer jardinagem! Visitar família! Ir ao dentista! Estudar com gosto, curiosidade e liberdade, e não com este peso nos ombros! Pensar no futuro em datas concretas, e não em anos incertos! Sentir-me como uma pessoa útil e adequada para viver em sociedade! Ter colegas com os mesmos problemas e desafios que eu! Andar com a minha vida para a frente e deixar de ser um parasita e vergonha para a minha família! Voltar a escrever! Cozinhar e limpar por necessidade e não porque são os únicos métodos de coping a que me permito! 

Não sou ambicioso, não vou atrás de distinções ou prémios, e não me preocupo com bens materiais para além de utilidade e conforto. Mas quero andar para frente. Quero ser diferente de quem era no ano passado, de maneira concreta e material. Quero trabalhar na área para que estudo. Estou tão farto de perder "os melhores anos da minha vida" para este estúpido defeito.

10
Jan21

Mais um dia, mais revolta

Detesto pessoas ricas. Detesto a falta de noção com que falam da situação de Portugal. "Querem dinheiro? Emigrem." Pois, receber salário justo e fazer vida no nosso país é pedir demais.

Não minto quando digo isto: a servir cafés e limpar sanitas na Irlanda ganhei mais por mês do que um médico em início de carreira em Portugal (a trabalhar só para o SNS é claro). Mas Luca, a vida na Irlanda é mais cara que em Portugal. Está certo, mas a diferença salarial é muito maior que a diferença entre custo de vida (na minha experiência). Não são países assim tão diferentes; esta é uma diferença que acharia aceitável entre um país africano e um país europeu, não entre duas nações da UE. Revolta-me alguém sem qualquer tipo de formação e com um trabalho pouco importante à sociedade ser mais bem compensado que alguém que trabalhou e sacrificou durante décadas para ter nas mãos a saúde (e vida) de outras pessoas, e cujo o único defeito foi querer ficar no país onde nasceu, com a família e amigos que ama. Ela não se revolta, mas revolto-me eu por ela!

Como é que não posso ficar zangado? Como é que posso conter esta revolta? Como é que posso ficar calado quando alguém nascido em berço de ouro diz que o trabalho deve ser feito por gosto, e que a renumeração é um bónus? Como é que alguém pode dizer isso em plena situação de pandemia, em que os profissionais de saúde se sacrificam por palmas? Profissionais de saúde não são heróis, não são santos que fazem sacrifícios para bem dos outros.

São pessoas, com famílias, com necessidades, com desejos, com ambições. São pessoas que se expõem a riscos, que desgastam o corpo e a mente, e que têm nas mãos a vida e saúde de outras pessoas. Esperar que fiquem felizes por fazerem o seu trabalho sem recompensa monetária justa, não é insulto, é desumano. Por trás de um médico, enfermeiro, auxiliar, técnico, bombeiro, está uma pessoa, uma família, que não vivem de palmas, gratidão ou espírito de missão.

Sei que sou uma pessoa rancorosa e com demasiada raiva dentro de mim, mas neste tema sei que a minha revolta é justa. Dizem que já estamos na 3ª crise económica, e eu ainda pensava que estávamos na mesma que começou em 2008.

Mas está tudo bem, lol.

O que importa é a atitude e motivação, lol.

Queres dinheiro emigra, lol.

O trabalho deve ser por gosto, lol.

O dinheiro não traz felicidade, lol.

Contas por pagar, familiares doentes e dependentes, incertezas quanto ao futuro? Não sei o que é isso, mas há de ficar tudo bem se tiveres a atitude certa e se continuares a trabalhar por trocos numa profissão de alta responsabilidade e alto desgaste físico e emocional.

lol

18
Dez20

Vida citadina

Coisas boas de viver num prédio

  • A casa retêm mais calor no inverno, pois está rodeada por outras casas com aquecimento ligado.

Coisas más de viver num prédio

  • Ter vizinhos de cima com crianças, que discutem frequentemente, e ouvem música aos berros.

Coisas horríveis de viver num prédio

  • Ter uma vizinha de cima que toma conta dos netos, e há sempre um neto bebé que está sempre a chorar, e há sempre um neto pequeno com um triciclo de brincar, e há sempre um neto em idade escolar a discutir aos gritos com a avó, e há sempre um cabrão de um neto adolescente que insiste em fumar dentro do quarto (mesmo em cima do meu quarto de dormir, argh! como é que a avó não lhe dá com o chinelo? pensava que os fumadores nunca o faziam no quarto onde dormem) e insiste em ouvir e cantar (cantar!) rap ou hip-hop ou o que raio os miúdos ouvem hoje em dia.

Há dias em que vou dormir às 19h para acordar à 1h e poder estudar em silêncio. Credo, sei que são crianças mas pelo som que fazem parece que vivo debaixo de um estábulo. 

10
Dez20

Presente de Natal

Já é tarde para mandar cartas ao Pai Natal (será que ele tem e-mail), mas se ainda fosse a tempo já sei o que lhe pedia.

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Credo, mas nem a pandemia que parou todo o mundo durante 1 ano muda esta gente que acha que uma reunião de 15 minutos vale a pena ser feita em pessoa. Nem sequer estou a falar de pessoas de idade, estou a falar de miúdos, com telemóveis e portáteis, por isso também não é falta de acesso a tecnologia. Suspeito que é por serem de letras. Têm a mania que são intelectuais, então têm que fazer tudo à maneira antiga, segundo a tradição. Criatura de Deus, tens em tua mão um iphone caríssimo de ultima geração feito com trabalho escravo infantil. Se vou ter de aturar os teus discursos de esquerda-caviar, a defender as vidas negras americanas ignorando a morte ucraniana em solo português, ao menos faz a merda da reunião pelo Zoom, para eu poder fazer o jantar em vez de fingir que te respeito.

01
Dez20

Hierarquia de Maslow

(Nas últimas semanas tenho andado mesmo revoltado, e qualquer coisa me lança para uma espiral de raiva. Que vergonha. Já estou demasiado velho para ficar indignado com tretas que ouço em conversa de circunstância).

Quando ouço alguém dizer que o dinheiro não traz felicidade, a minha primeira reação é de pegar numa cadeira e espancar esse alguém com a dita. Isto não é um exagero, tenho mesmo impulsos muito violentos, que felizmente sei controlar. A minha segunda reação é tentar mostrar à pessoa o quão profundamente errada está. Como não tenho capacidades sociais, apenas faço figura de palhaço.

Há 2 tipos de pessoas que dizem que o dinheiro não traz felicidade: as completamente destituídas que vivem à margem da sociedade, que conhecem felicidade sem nunca terem tido dinheiro, e aquelas a quem nunca, mas nunca faltou dinheiro. Aliás, às pessoas do 2º grupo nunca faltou dinheiro, e muito provavelmente têm dinheiro que chegue e sobra para uma vida bastante confortável (classe média-alta a alta). Com as primeiras não vou discordar, porque se elas são felizes sem dinheiro, quem sou eu para dizer que não o são? Com o segundo grupo, tenho de discordar, nem que seja no meu blog.

Mas que puta de falta de noção de alguém que nasceu em berço de ouro (puro, não banhado) tem que ter para dizer que dinheiro não traz felicidade. Isto dito por alguém que lida com pessoas sem-abrigo, em contacto direto com as consequências de falta de dinheiro, é simplesmente incongruente. Como é que pode dizer que dinheiro não traz felicidade se todos os dias vê a miséria de quem não o tem? As pessoas são felizes apesar de não terem dinheiro, mas seriam muito mais se o tivessem. 

Neste caso em particular que me deixou incrédulo, usaram o exemplo de alguém que com pouca formação e ordenado mínimo conseguia ser feliz, conseguia fazer a sua vida, e até conseguia meter os filhos na faculdade. É aqui que a barra está, a sério? Uau, conseguiu dar aos filhos a oportunidade de irem para a faculdade, claramente se safa com o seu ordenado miserável. Vamos ignorar os sacrifícios que muito provavelmente fez, os sonhos que abandonou, as coisas que a malta de classe alta toma como garantidas e que são luxos incomportáveis ao português normal.

O dinheiro não traz felicidade, mas traz tudo o que pode fazer uma pessoa feliz. Ter casa própria, ter acesso a bons cuidados de saúde, ter tempo e dinheiro para cozinhar comida saudável, ter roupas de boa qualidade (que cada vez mais me apercebo não serem um luxo, mas uma ferramenta). Acima de tudo, dá paz de espírito. É diferente viver de mês a mês a ter poupanças para a imprevisibilidade. 

É claro que uma pessoa que viveu sempre no pico da pirâmide acredita que o dinheiro não traz felicidade, porque nunca o teve como fator limitador. A partir de um certo limiar o dinheiro não compra mais felicidade (para o próprio, se é que me faço entender). Mas a maioria das pessoas nunca vai chegar, nem em sonhos, a esse limiar. Li outro dia que 20% das pessoas em Portugal vivem no limiar da pobreza; um quinto da população vive com dificuldades marcadas. Um quinto. Até fiquei tonto. Não sei que percentagem da população não vive na pobreza porque se vai desenrascando, mas não acho que seja pequena. Dinheiro dado a essas pessoas traria muita felicidade. Dinheiro investido nos serviços públicos onde essas pessoas vivem traria muita felicidade.

Outra questão adjacente é a educação como elevador social. Esta ideia pode parecer alienígena a muitas pessoas, mas algumas pessoas com poucos meios escolhem as carreiras que lhes garantem dinheiro, em detrimento dos seus gostos pessoais. Pode parecer estranho para muitos dos meus colegas, mas ter comida na mesa (para o próprio e para a família) é para alguns mais importante que seguir sonhos. Há pessoas que fazem imensos sacrifícios para ter uma vida melhor, e que ficam revoltados quando o seu trabalho não é recompensado. E ainda têm de ouvir, de pessoas que têm o luxo de fazer algo porque querem e não porque necessitam, de que deviam estar gratos por poder trabalhar. Que trabalho deve ser por vocação, não por recompensa. Não percebo esta lógica, eles acham que é o sonho de alguém ser caixa de supermercado ou varredor de lixo? São profissões essenciais, como esta pandemia demonstrou, mas duvido que sejam o sonho de muitos. É muito ingénuo pensar que as pessoas seguem os seus interesses (que muitas vezes mudam ao longo da vida) em vez das suas necessidades e habilidades. Especialmente em Portugal.

Não sou exatamente a pessoa mais experiente ou instruída, mas esta é algo que para mim é uma verdade bastante evidente, e choca-me que pessoas que supostamente lidam com miséria não acreditem nela. De onde é que acham que a miséria e seus males proveem?

02
Nov20

Terapia e terapeutas

Aviso: este post é um vómito bastante longo, que fermentou durante décadas, e estou mesmo a precisar de meter isto em palavras para arrumar esta caixa, esquecer-me e voltar ao estudo. Até um ermita antissocial como eu fica mal de estar tanto tempo em confinamento; pareço um cão a perseguir a própria cauda. Isto são coisas que não devem ser partilhadas, mas tenho este blog mesmo para transformar em palavras coerentes os nós que tenho na cabeça. É um (bom) exercício.

______________

Como já deu para perceber não sou uma pessoa normal ou equilibrada. Nasci mal e cresci mal, com um feitio de merda (palavras da minha doce mãe). Ainda em adolescente tive problemas, de tal modo que os meus pais, que não acreditam em psicologia ou psiquiatria, me levaram às consultas dos maluquinhos.

Adorei os diagnósticos: um declarou-me uma peste provocadora, outro achou que devia ser internado na hora. Na altura fiquei indignadíssimo por sugerirem que era de tal modo desequilibrado que devia ser internado. Sabendo o que sei hoje, preferia ter ficado internado. No nosso sistema de saúde internar alguém em psiquiatria não é uma decisão de animo leve, e se um psiquiatra, que vê imensas pessoas por dia durante anos, achou que eu não era mais um adolescente rebelde, bem, se calhar ele tinha bons motivos. Mas pronto, eu era estúpido na altura, assinei o termo de responsabilidade e voltei para a rua.

A minha mãe, preocupada, massacrou a psicóloga da escola para me acompanhar. Oh pá, a senhora era simpática, mas nós vivíamos numa aldeia onde tudo (mas tudo) se sabe. Era óbvio que não podia confiar nela, especialmente quando tinha problemas em casa. Já se sabia que era maluco, mas ninguém sabia detalhes sobre a minha loucura, e queria manter isso privado. Alguém me podia perguntar, mas luca, não disseste antes que foste visto por psiquiatras? Sim, mas uma coisa é falar com alguém que vive e trabalha a 300 km e que não me conhece de lado nenhum e nunca mais me ver na vida. Outra coisa é falar com alguém que vive na rua ao lado, numa cidade pequena, onde tudo o que acontece num consultório sai cá para fora. Geralmente numa cafetaria, sobre um queque e um café. Geralmente, com nomes associados.

Só voltei ao fantástico mundo da terapia anos depois, porque estava mal, mas mais importante, porque encontrei alguém de confiança. Alguém discreto, que me perguntava o que podia ou não ser partilhado. Alguém que me ouvia e pelo menos fingia entender (mas não concordar) com o que dizia. Pelo menos fingia entender a minha lógica. Acabei por abandonar, porque, bem, estava a pagar a preço de ouro para ter alguém a ouvir-me. Além disso, eu era (sou) de tal maneira introvertido que a minha evolução era ínfima. Assim que voltava a casa da consulta voltavam as minhas merdas. Era fútil.

Anos depois toca de ir outra vez para terapia. Desta vez, para terapia de grupo. Faz sentido, certo? Em vez de estar a confiar só numa pessoa, podia abrir-me a outras pessoas. Podia relacionar-me com outras pessoas, que tal como eu, têm problemas. Problemas diferentes, vidas diferentes, experiências diferentes, perspetivas diferentes; mas todos a precisar de ajuda. 

Foi horrível, por vários motivos. Eu não queria falar porque não queria tirar tempo aos outros membros do grupo, e só quando me chamavam é que desbloqueava. Porque não é relutância em falar, é bloqueio. Há alturas em que quero falar, tenho que falar, mas não consigo sequer abrir os lábios. Não consigo achar melhor palavra que bloqueio para descrever esta sensação; é quase físico (mas é psicológico, óbvio).

Depois era o entrave habitual de ser demasiado estranho para outros me entenderem. Eu dizia que vejo o céu verde, mesmo sabendo que ele é azul. E o que me era devolvido era: o céu é azul, como é possível estares a verde quando ele é azul, porque é que estás a ver verde, não tens razão para veres verde, olha para o céu e vê que ê azul. É válido, mas quando alguém dizia que as nuvens eram azuis, eu pelo menos aceitava que viam as nuvens azuis, mesmo que para mim fossem amarelas. 

Estou a ser injusto, nem sempre era assim. Houve momentos em que via as coisas da mesma maneira que alguém, e que alguém via as coisas da mesma maneira que eu. Mas as coisas mais importantes (mais graves) para mim, não eram aceites pelos outros. Por cada coisa em que havia ligação haviam 6 que não pegavam. Compatibilidades minor, incompatibilidades major. E o acumular de incompatibilidades levava-me a pensar: não pertenço aqui, não devia estar aqui, estas pessoas são normais com problemas sérios, eu sou apenas um merdas defeituoso, não tenho problemas, como posso dizer que tenho problemas quando os deles são mais sérios e me dizem que os meus problemas não podem existir?

Mas a coisa mais engraçada, que me fazia querer fugir do consultório para fora, era a cara da terapeuta. Ela tentava, tentava a sério, mas sempre que olhava para mim tinha a expressão de alguém que pisou uma bosta (fui eu, sou eu a bosta). Eu via que ela tentava o seu melhor para manter uma expressão neutra e serena, mas ela não conseguia. Até entendo, porque tenho uma cara estranha com tiques estranhos. Sei o que é tentar manter uma atitude profissional e o quão difícil isso pode ser. Mas era todas as consultas, e quase sempre só comigo. Se fosse com todos era uma coisa. Quando é só para alguns, e sempre que fala com esses alguns, bem, é desconfortável. Como é que posso falar livremente se a minha âncora parece querer livrar-se de mim? Senhora, eu sei que sou horrível, mas por favor, esconda o seu nojo! Estou lhe a pagar a preço de ouro para ser ajudado, por favor, nem que seja pelo seu brio profissional, tente ser neutra! Como é que posso falar de coisas pessoais quando alguém me olha como se fosse lixo? Se quero que alguém me trate com asco não tenho de pagar, basta sair à rua.

Não conseguia continuar, era desagradável ir lá. Ficava nauseado de antecipação e saía de lá miserável e estuporado de ansiedade. Simplesmente deixei de ir, e justifiquei com falta de dinheiro, o que é parcialmente verdade. Como é que podia dizer a um psicólogo: as sessões são o pior momento da semana, sinto-me monstruoso por me atrever a entrar naquela sala onde claramente estou a mais, e quanto mais terapia faço mais alienado, mais aberrante me sinto? Algo que era para me mostrar que sou uma pessoa como as outras só reforçou o quanto sou diferente. 

Sei que preciso de terapia, sei que posso melhorar, sei como um facto que terapia funciona, mas até agora nem efeito placebo teve. 

Odeio-me tanto. Não devia ter nascido. Tenho nojo de quem sou.

18
Abr19

Valor

O valor de uma pessoa não se mede pelos seus bens, e muito menos pela pessoa que "é" (e nunca percebi o que significa esta parte, e como se pode medir e quantificar). 

Uma pessoa vale pela sua capacidade de obter dinheiro. Não importa a maneira como o faz, importa a quantia e a rapidez com que consegue fazer lucro. 

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